UNAIDS e OMS divulgam relatório “Atualização sobre a Epidemia da AIDS 2009”
27.11.2009 - A atualização da mais completa avaliação mundial sobre o HIV indica estabilização da epidemia
No dia 24 de novembro, foi divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS – UNAIDS – e pela Organização Mundial de Saúde – OMS – o relatório “Atualização sobre a Epidemia da AIDS 2009”. Trata-se de uma atualização dos dados disponibilizados no “Relatório sobre a epidemia global da AIDS 2008”, a mais completa avaliação mundial sobre o HIV, da qual participaram 147 países de um total de 192 Estados Membros da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os dados apresentam uma estabilização da percentagem global de pessoas vivendo com o HIV desde 2000, embora sob um nível considerado “inaceitavelmente alto”. Afinal, o número total de pessoas vivendo com o vírus em 2008 foi mais de 20% maior que em 2000, devido ao crescimento de novas infecções a cada ano e aos efeitos benéficos da terapia antirretroviral. Estima-se que 33,4 milhões de pessoas viviam com o vírus em 2008. Os dados atualizados indicam que a prevalência de adultos (15–49 anos) contaminados pelo HIV, em 2008, foi aproximadamente 3 vezes mais alta que em 1990.
O grande destaque do relatório de 2009 é a queda, em diversos países, da taxa de novas infecções por HIV. Em escala global, o número anual de novas infecções caiu de 3,2 milhões em 2001 para 2,7 milhões em 2008 (17% de queda, aproximadamente). Ainda assim, são mais de 7397 novas contaminações por dia.
Em 2008, a África Subsaariana registrou uma queda de 25% na taxa de novas infecções pelo HIV, comparada ao pico epidêmico na região, em 1995. No entanto, permaneceu como a mais afetada pelo vírus, contabilizando 22,4 milhões de pessoas contaminadas, 71% de todas as novas infecções (1,9 milhão de pessoas) e 72% das mortes por AIDS (1,4 milhão). Este número representa um declínio de 18% na mortalidade desde 2004.
Na América Latina, estima-se que tenham ocorrido 170 mil novas infecções por HIV em 2008, elevando o número de infectados na região para 2 milhões, aproximadamente.
No Brasil, onde a terapia antirretroviral gratuita está disponível desde 1996, a sobrevida média após um diagnóstico de AIDS, no Estado de São Paulo, subiu de quatro meses, no período entre 1992 e 1995, para 50 meses, entre 1998 e 2001. Os dados indicam que a prevenção do HIV no país ajudou a mitigar a severidade da epidemia.
As mulheres e o HIV em 2008
Globalmente, o percentual de mulheres entre pessoas vivendo com HIV (50%) tem se mantido estável desde o final dos anos 1990, inclusive na América Latina. Estima-se que havia 15,7 milhões de mulheres contaminadas pelo HIV, em 2008, de um total de 31,3 milhões de infectados.
Contudo, o índice de mulheres infectadas tem aumentado em alguns países da Europa Oriental e da Ásia Central. Na África Subsaariana como um todo, as mulheres somam, aproximadamente, 60% das infecções estimadas por HIV.
No Brasil, onde a epidemia é considerada baixa ou concentrada, a cobertura da terapia antirretroviral, em 2007, atingiu 70% da população masculina e, aproximadamente, 99% da população feminina atingida pelo vírus.
O Brasil figura, também, entre os sete países cuja cobertura de antirretrovirais para evitar a transmissão do HIV entre mãe e filho/a varia entre 50 e 75%. Para adultos e crianças com HIV em estágio avançado, a cobertura da terapia antirretroviral no país é superior a 75%.