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Uma em cada cinco brasileiras entre 35 e 39 anos já realizou um aborto

26.05.2010 - Pesquisa conduzida pela Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, com a participação de pesquisadores/as da Universidade de Brasília, indica que, ao final da vida reprodutiva, uma em cada cinco mulheres já passou pela experiência de abortar

A Pesquisa Nacional de Aborto – PNA abrangeu mulheres urbanas e alfabetizadas, com idades entre 18 e 39 anos, em todo o Brasil. Trata-se de um levamento por amostragem, realizado em 2010. Os dados iniciais da pesquisa mostram que, ao final da vida reprodutiva, uma em cada cinco mulheres (aproximadamente 22%) já passou pela experiência de abortar, o que mostra o quanto o aborto é um fenômeno comum na vida reprodutiva das mulheres.

Os dados foram levantados por meio de duas técnicas. Primeiramente, foram aplicados questionários com perguntas fechadas sobre aborto, preenchidos pelas próprias mulheres e depositados em urna, com o intuito de garantir o sigilo das entrevistadas. Posteriormente, foram preenchidos questionários face a face por entrevistadoras que indagavam sobre informações sociais e demográficas.

Os resultados da pesquisa referem-se ao ano de 2010, no Brasil urbano. Nesse contexto, 15% das mulheres entrevistadas relataram ter realizado aborto alguma vez na vida. Os resultados se referem ao número de mulheres que já fizeram aborto, não ao número de abortos. Tendo em vista que uma mesma mulher pode abortar mais de uma vez ao longo da vida e que as mulheres analfabetas e as áreas rurais do Brasil não foram cobertas, o número total de abortos é, seguramente, superior ao número de mulheres que o realizaram.

A pesquisa traz ainda um perfil das mulheres que realizaram aborto. Contrariamente a uma idéia muito difundida, os resultados indicam que o procedimento não é feito apenas para retardar o início da vida reprodutiva ou evitar filhos em idades avançadas. Aproximadamente 60% das mulheres fizeram seu último (ou único) aborto no centro do período reprodutivo, ou seja, entre 18 e 29 anos, sendo o pico da incidência entre 20 e 24 anos (24% nesta faixa etária).

A incidência do aborto é maior entre as mulheres de baixa escolaridade. Das que cursaram até o quarto ano do ensino fundamental, a proporção de mulheres que realizaram o abortamento chega a 23%, enquanto que entre aquelas que concluíram o ensino médio, a proporção é de 12%. A pesquisa não identificou qualquer diferença na incidência do aborto entre as mulheres das diversas religiões. Tendo em vista que o estudo reflete a composição religiosa das mulheres urbanas brasileiras, pouco menos de dois terços das mulheres que fizeram aborto são católicas, um quarto, protestantes ou evangélicas, e menos de um vigésimo pertencem a outras religiões.

Com relação às formas de realização do procedimento, a pesquisa revela que quase a metade das mulheres que fizeram aborto utilizaram algum tipo de medicamento para induzi-lo. Mostra ainda que os níveis de internação pós-aborto são muito elevados no país e colocam a questão como um problema de saúde pública. Quase metade das mulheres que realizaram o procedimento recorreram ao sistema de saúde e foram internadas por complicações relacionadas ao aborto (8% das mulheres entrevistadas), problema que poderia ser minimizado se o aborto pudesse ser realizado em condições seguras.