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Representação de gênero na mídia não é equilibrada

09.03.2010 - Segundo relatório do Projeto Global de Monitoramento de Mídia de 2010, apenas 24% das pessoas vistas, ouvidas ou a respeito de quem se lê nas notícias são mulheres

O relatório preliminar do Projeto Global de Monitoramento de Mídia de 2010 (2010 Global Media Monitoring Project - GMMP) foi divulgado no início do mês em Nova Iorque, em um painel de debates durante a 54ª sessão da Comissão da ONU sobre a Condição da Mulher.

Trata-se de uma pesquisa em nível mundial com o propósito de incentivar a representação justa e equilibrada das mulheres na mídia noticiosa. Os resultados apresentados no relatório preliminar estão baseados em uma amostragem de 42 países na África, Ásia, América Latina, no Caribe, nas Ilhas do Pacífico e na Europa. Compõem os resultados, 6.902 itens de notícias e 14.044 tópicos de notícias, incluindo pessoas entrevistadas.

O monitoramento aconteceu no dia 10 de novembro de 2009. Voluntários de 130 países passaram o dia observando, analisando e documentando achados com relação a indicadores de gênero em notícias. Participaram ativistas das áreas de gênero e mídia, grupos de comunicação de base, pesquisadores/as universitários/as e estudantes de comunicação, profissionais de mídia, associações de jornalistas, redes de mídia alternativas e grupos religiosos.

O monitoramento é realizado pelo GMMP a cada cinco anos, desde 1995. Uma comparação com os resultados apresentados nas três últimas edições indica que estão ocorrendo mudanças em direção a notícias mais equilibradas no que diz respeito às questões de gênero e das mulheres. Matérias com temas considerados femininos aumentaram de 17% para 24% nos últimos 15 anos. Já com relação à opinião popular em notícias, o número é mais equilibrado, chegando quase à igualdade.

O Projeto é coordenado pela Associação Mundial para a Comunicação Cristã - World Association for Christian Communication – WACC, uma ONG internacional que busca incentivar uma comunicação em prol de mudanças sociais. O Projeto conta ainda com a colaboração do Media Monitoring Africa, da África do Sul e é apoiado pelo UNIFEM - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher.

Confira abaixo alguns dos principais resultados apresentados no relatório:

- 24% das pessoas entrevistadas, ouvidas, vistas ou a respeito de quem se lê em transmissões e notícias impressas são mulheres; somente 16% de todas as matérias concentram-se especificamente em mulheres.

- Menos de um dentre cinco especialistas entrevistados é mulher, e homens predominam fortemente como testemunhas e relatores de experiências pessoais em matérias.

- Quase metade (48%) de todas as matérias reforça estereótipos de gênero, enquanto 8% das matérias questionam estereótipos de gênero. As mulheres são identificadas nos noticiários por seus relacionamentos familiares (esposa, mãe, filha), cinco vezes mais que os homens.

- Em geral, há bem menos matérias apresentadas por repórteres femininas do que por repórteres masculinos. Matérias apresentadas por mulheres têm consideravelmente mais foco em temas femininos do que as matérias apresentadas por homens, e questionam estereótipos de gênero quase duas vezes mais do que matérias de repórteres homens.

O relatório preliminar está disponível em inglês no seguinte endereço: www.whomakesthenews.org