Skip to content. | Skip to navigation

Home

Home Notícias Latinobarômetro: Pesquisa confirma manutenção da discriminação de gênero na América Latina
Document Actions

Latinobarômetro: Pesquisa confirma manutenção da discriminação de gênero na América Latina

18.12.2009 - Informe publicado pela ONG Latinobarómetro para o ano de 2009 conclui que não há evoluções significativas na região no que se refere ao trabalho feminino e à participação política das mulheres

O estudo é produzido desde 1995 pela Corporação Latinobarómetro, uma ONG com sede em Santiago, no Chile. Para esta última pesquisa foram aplicadas 20.204 entrevistas presenciais em 18 países entre 21 de setembro e 26 de outubro deste ano. Nela, valores e opiniões da população latino-americana são medidos por meio de perguntas sobre diversos assuntos.

Com o intuito de ampliar o conhecimento a respeito da democracia nos países latino-americanos, o estudo inclui uma seção dedicada à análise da discriminação de gênero, considerada um dos indicadores mais importantes para se medir o grau de tolerância e democracia dos países. O estudo aborda, a partir de três temas – o trabalho, o dinheiro e a política –, diferentes aspectos da discriminação que sofrem as mulheres nas sociedades latino-americanas.

A sondagem sobre primeira dimensão, o trabalho, foi feita a partir da seguinte afirmação: “é melhor que a mulher se concentre no lar e o homem no trabalho”, sobre a qual as/os entrevistadas/os deveriam se posicionar favorável ou contrariamente. 36% dos latino-americanos entrevistados se declararam de acordo – a mesma quantidade de 13 anos atrás. A segunda dimensão, o dinheiro ganho pelas mulheres, resultou em 48% dos entrevistados pronunciando-se favoráveis à afirmação “se a mulher ganha mais dinheiro que o homem, é certo que haverá problemas”. De acordo com a pesquisa, houve, nessa esfera, um avanço quanto à percepção de igualdade entre homens e mulheres na sociedade, já que no ano de 2004, 52% dos entrevistados responderam afirmativamente.

A terceira e última dimensão, sobre o lugar das mulheres na política, revela que, em 2009, 32% das pessoas entrevistadas concordam com a afirmação de que “os homens são melhores líderes políticos que as mulheres” – em 2004, o percentual de concordância era de 31%.

A pesquisa conclui, contraditoriamente, que a política é o âmbito da vida das sociedades em que as mulheres são mais bem aceitas, seguido pelo âmbito do lar, enquanto no aspecto salarial, em que há menor aceitação, seria possível observar mudanças mais significativas.

Observa-se ainda, na pesquisa, a presença de amplas diferenças regionais. Apesar de os resultados revelarem uma sociedade latino-americana conservadora, os níveis de discriminação de gênero no Brasil são menores do que dos países da América Central, por exemplo, região considerada como a mais discriminatória com relação às mulheres. O Brasil, em todas as dimensões abordadas, acompanha a média regional. O Uruguai é considerado o país mais democrático da região nesse aspecto.