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Mulheres, população e clima

25.11.2009 - Foi divulgado na última semana, pelo UNFPA - Fundo de População das Nações Unidas, o Relatório sobre a Situação da População Mundial intitulado “Enfrentando um mundo em transição: mulheres, população e clima”

O documento propõe que os debates sobre as mudanças climáticas sejam deslocados para um outro nível: das discussões sobre diminuição das emissões de carbono e sobre tecnologias “verdes” para a realidade em que vivem as populações, as quais atuam de maneira a influenciar o aquecimento global e também são afetadas pelos problemas climáticos.

O relatório destaca que as dinâmicas populacionais são elementos fundamentais no enfrentamento às causas das alterações climáticas, tendo em vista que o crescimento populacional é um fator de destaque no aumento do volume de emissões totais. Essas são bem mais altas nos países desenvolvidos, em que o consumo médio per capita de energia e de materiais é mais elevado.

A população de baixa renda, mundialmente, sofre mais com os efeitos das mudanças climáticas, tanto por depender mais intensamente da agricultura como meio de subsistência, quanto por sua situação habitacional, mais vulnerável a desabamentos e inundações. As mulheres sentem ainda mais esses efeitos, pois representam a maior parte da população que vive com 1 dólar ou menos por dia. Por conta disso, estão mais expostas aos desastres naturais e têm maior probabilidade de ter suas vidas ameaçadas em situações de condições meteorológicas extremas.

As mulheres estão entre as pessoas mais vulneráveis às mudanças climáticas e enfrentam desafios adicionais nessas condições, em especial as mulheres dos países pobres. Em muitos desses países elas são a maior parte da força de trabalho agrícola e possuem menores oportunidades de geração de renda. Outro fator que influi em sua vulnerabilidade é que muitas vezes as mulheres são as responsáveis por administrar suas casas e cuidar de membros da família, o que limita sua mobilidade. Da mesma forma, a seca faz com que muitas mulheres trabalhem de maneira mais árdua para obter alimentos e água e que as meninas deixem de estudar para auxiliar no trabalho doméstico.

O documento aponta a estreita relação entre gênero, agricultura e mudanças no clima, devido ao engajamento das mulheres na produção e preparação de alimentos e o potencial do uso da terra na contribuição com soluções para a mudança do clima em países em desenvolvimento. Coloca ainda que a luta contra o aquecimento global apenas terá chances de adquirir bons resultados se as políticas públicas, programas e tratados incluírem as necessidades, direitos e potencialidades das mulheres.