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Mulheres negras de baixa escolaridade são maioria no emprego doméstico em São Paulo

Pesquisa da Fundação Seade e do Dieese aponta que as mulheres ocupavam 45,1% do total de postos de trabalho em 2008. Entretanto, representavam 95,4% do total de pessoas que prestam serviços domésticos

Da Agência Brasil 

Do total de mulheres que trabalhavam na Região Metropolitana de São Paulo em 2008, 16,3% realizavam serviços domésticos segundo dados do Boletim Mulher e Trabalho: O Trabalho Doméstico na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), divulgado na quinta-feira (23/04) pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese).

A pesquisa aponta que as mulheres ocupavam 45,1% do total de postos de trabalho da região metropolitana. Entretanto, representavam 95,4% do total de pessoas que prestam serviços domésticos. Em 2008, 52,9% das empregadas domésticas eram negras, em 2007, esse número era de 55,5%.

Em relação ao perfil, a maioria das domésticas está na faixa dos 25 a 39 anos (39,5%). Estão na faixa dos 40 a 49 anos, 29,5% e de 50 a 59 anos, 16,9%. Entre os anos de 2007 e 2008 o número de mulheres de 18 a 24 anos que se inseriam no mercado de trabalho por meio de trabalhos domésticos caiu de 8,8% para 7,2%.

As filhas de domésticas que se tornam domésticas também diminuiu de 9,1% para 7,2%, devido ao maior nível de escolaridade e da preferência por buscar alternativas de trabalho com mais chances de evolução.

Com relação à escolaridade, 61% das domésticas não concluíram o ensino fundamental e 20,9% não terminaram o ensino médio. Outras 17,9% têm o ensino médio completo ou o ensino superior incompleto.

Segundo os dados da pesquisa, em 2008, 72,1% das domésticas eram mensalistas, das quais 39,3% negras e 32,8% não-negras. As diaristas correspondiam a 27,9%, das quais 13,7% negras e 14,3% não-negras.

Apenas 36,2% possuíam carteira de trabalho assinada e 41,4% das domésticas eram contribuintes da Previdência Social em 2008.

A pesquisa indicou ainda que 28% das trabalhadoras estavam no mesmo emprego há até seis meses e 25,9% delas há mais de cinco anos. Quanto à jornada de trabalho o boletim afirma que as empregadas mensalistas com carteira assinada trabalham 44 horas semanais, contra as 38 horas trabalhadas por aquelas que não têm o registro. Essa jornada de trabalho é aplicada principalmente pelas 5,9% das mensalistas que residem no local de trabalho. Já as diaristas trabalham 23 horas semanais, em média.

O estudo também apontou que a hora de trabalho das domésticas em 2008 correspondia a R$ 3,28. As diaristas ganhavam R$ 4,27 por hora, as mensalistas com carteira assinada R$ 3,46 e as mensalistas sem registro em carteira R$ 2,60.

De acordo com o boletim, o rendimento médio mensal das diaristas é igual ao das mensalistas sem carteira assinada, que é de R$ 422. O das mensalistas com carteira assinada fica em torno de R$ 658. De acordo com os dados do estudo, entre 2007 e 2008, o aumento real de salário para as profissionais desse segmento foi de 6,4%.

Adilma Conceição dos Santos, 23 anos, faz parte do pequeno grupo de empregadas domésticas (20,9%) que começou a cursar o ensino médio. Há quatro anos ela resolveu largar o emprego de garçonete para trabalhar na casa de uma idosa. Ela escolheu o trabalho doméstico porque procurava um emprego no qual pudesse dormir para não ter de pagar aluguel. Com carteira assinada, ela trabalha de segunda a sexta e tem folga nos finais de semana.

Adilma afirma que tem vontade de voltar a estudar. “Como eu tenho que acompanhar a idosa de quem tomo conta no período da noite, tive que parar de estudar. Mas pretendo terminar o ensino médio e entrar na faculdade de engenharia. Meu trabalho está bom para mim, por enquanto, porque dá para pagar as contas, mas sempre queremos algo mais na vida."

A diarista Francisca Pereira da Silva, 49 anos, começou trabalhando como empregada doméstica aos 19 anos quando veio do Nordeste para São Paulo. Grávida, parou de estudar ao final do ensino médio e nunca mais pensou em voltar. Ela afirma que trabalhou com registro em carteira durante 15 anos em uma casa só. Mas resolveu desistir e trabalhar como diarista.

Atualmente, ela afirma que dispensa a carteira assinada, mas não esquece de pagar, por conta própria, a Previdência Social. O intuito é garantir os anos de contribuição para a aposentadoria.

“Eu já estava cansada de trabalhar direto e como diarista eu faço meu horário. Atualmente trabalho quatro dias da semana em duas casas e um dia da semana eu uso para descansar e cuidar das minhas coisas. Trabalhando como diarista eu ganho melhor. Eu gosto do que faço”, disse Francisca.