Destaques da PNAD 2008*
Divulgados no final de setembro de 2009 pelo IBGE, os dados da PNAD 2008 mostram, de forma geral, tendências positivas para o conjunto dos indicadores sociais, ainda que os desafios sigam existindo. Para as mulheres, os resultados apontam que estamos no caminho da igualdade, mas que precisamos acelerar estes movimentos.
As mulheres seguem sendo maioria em 2008: 51,3% da população total, contra 48,7% de homens. A maior representação do sexo feminino é ainda mais clara na população idosa: entre as pessoas com mais de 60 anos de idade, as mulheres são 56,2% do total. Importante destacar que houve um acréscimo, tanto da população feminina quanto da masculina, de pessoas que se declararam negros/as e um decréscimo daqueles/as que se declararam brancos/as. Em 2007, 48,7% das mulheres se declararam negras e 50,4% brancas. Já em 2008, foram 49,5% de mulheres negras e 49,5% de brancas.
A taxa de fecundidade brasileira diminuiu ainda mais em 2008, inclusive entre as adolescentes de 15 a 19 anos, e encontra-se em um patamar abaixo ao da taxa de reposição: 1,8 filho por mulher. Há diferenças significativas nas taxas segundo as regiões, os níveis de renda e os anos de estudo das mulheres que, no entanto, vêm diminuindo ao longo dos anos. Por exemplo, uma nordestina em 1992 tinha 1,2 filho a mais que uma mulher do Sudeste. Em 2008, esse número passou para 0,5.
A PNAD 2008 também apresentou um aumento do número de mulheres vivendo sozinhas. Esse tipo de arranjo familiar atingiu 8,9% no ano de 2008, o que corresponde a 5,1 milhões de mulheres nessa condição. O arranjo familiar predominante continua sendo o de casais com filhos, mas, entre esses, aumentou o número de chefias femininas declaradas nos últimos 10 anos. A proporção de arranjos do tipo casal com ou sem filhos chefiados por mulheres passou de 4,5% em 1992 para 31,2% em 2008, ou seja, 4,3 milhões de famílias estão, hoje, nessa categoria.
Outra mudança percebida foi o aumento da contribuição da renda da mulher na renda das famílias. Esta passou de 30,1%, em 1992, para 40,6% em 2008. Ainda mais expressivo foi o aumento, nesse mesmo espaço de tempo, da proporção de mulheres cônjuges que contribuem para a renda familiar: de 39,1% para 64,3%. Apesar desse aumento da participação feminina na contribuição da renda familiar, elas continuam sendo as principais responsáveis pelos afazeres domésticos. Em 2008, 87,9% das mulheres ocupadas se dedicavam a esse tipo de afazer, enquanto a proporção de homens era de 46,1%. A diferença se torna ainda mais expressiva quando se analisa o número médio de horas dedicadas ao trabalho doméstico, as mulheres ocupadas gastam, em média, 20,9 horas semanais e os homens, 9,2.
Mulheres e o mercado de trabalho
Em relação ao mercado de trabalho, os dados da PNAD mostram que o nível de ocupação das mulheres passou de 46,7%, em 2007, para 47,2%, em 2008. Concomitantemente, houve um declínio no nível de desemprego feminino entre esses anos, que passou de 10,8% para 9,6%. Vale destacar, ainda, a diminuição nas taxas de emprego das faixas etárias mais jovens, ou seja, até 17 anos. As mulheres ocupadas com carteira de trabalho assinada representavam, no ano de 2007, 32,36% do total e 33,58% em 2008. A elevação do emprego com carteira de trabalho assinada levou a um aumento da participação das mulheres como contribuintes da Previdência Social de 49,4% para 50,9% em 2008.
Os dados da PNAD 2008 reforçam a importância do emprego doméstico para a população feminina. As mulheres são 93,6% dos trabalhadores nesta ocupação e esse trabalho é responsável pelo emprego de 15,8% das mulheres ocupadas**. A precariedade deste tipo de ocupação também fica evidente na análise dos dados. Em 2007, apenas 26,3% das trabalhadoras domésticas tinham carteira assinada, frente a um percentual de 39,7% dos homens na mesma ocupação. Em 2008, a situação piorou para as trabalhadoras, visto que os homens aumentaram a taxa de formalização para 41,4%, ao passo que as mulheres diminuíram para 25,8% os percentuais de formalização.
Outra mudança observada nessa população foi o aumento do número de trabalhadoras que prestavam serviço a mais de um domicílio. Em 1998 eram 856.000 passando para 1.645.000 em 2008. A atividade de prestar serviço em mais de um domicílio aproxima-se do conceito de “diarista” utilizado cotidianamente. Nesse grupo, apenas 14% possuíam carteira de trabalho assinada, entretanto apresentavam, em média, uma renda superior às “mensalistas” de R$ 57. Ou seja, o que se percebe é uma troca entre melhor remuneração por uma menor proteção social.
A PNAD é uma investigação conduzida anualmente pelo Instituto e que traz informações importantes e decisivas para o acompanhamento das condições de vida da população brasileira e, conseqüentemente, para o planejamento das políticas públicas implementadas.
* Elaborado com base nos seguintes documentos: IPEA. Comunicados da Presidência. Brasília: Ipea, n.31, out 2009; IPEA. Comunicados da Presidência. Brasília: Ipea, n.32, out 2009; IBGE. Síntese de Indicadores 2008. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.
** Se considerarmos as mulheres negras ocupadas, o trabalho doméstico remunerado é o responsável por 20,1% das ocupações.