Brasília, 14 e 15 de abril: evento no hotel Lake Side dá lugar ao III Fórum de Mulheres do IBAS
30.04.2010 - Encontro entre Brasil, Índia e África do Sul marca estreitamento das relações entre os países
O Fórum de Diálogo IBAS é uma iniciativa trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul que visa ao aprofundamento das relações Sul-Sul, a fim de promover o desenvolvimento por meio da promoção do comércio e do investimento; da cooperação em diversas áreas de políticas públicas, como agricultura, educação, cultura, saúde, defesa, ciência, tecnologia, energia, mudança climática, turismo e desenvolvimento social. Ele foi lançado em 2003, em Brasília, a partir da adoção da “Declaração de Brasília” e é composto por diversos níveis institucionais: há as Cúpulas de Chefes de Estado e/ou Governo; reuniões ministeriais; consultas e diálogos regulares dos níveis oficiais e comissões mistas trilaterais ou grupos de trabalho, além de promover interações entre instâncias governamentais e a sociedade civil.
Entre essas diversas instâncias institucionais encontra-se o Fórum de Mulheres do IBAS. Ele nasceu em 2007, para contribuir com a realização de esforços conjuntos e a colaboração na área de desenvolvimento da mulher nos três países, a fim de promover a igualdade de gênero e a redução da pobreza. Além disso, os três países pretendem trabalhar juntos para sincronizar propostas e programas que visem ao desenvolvimento da mulher no seio das Nações Unidas e em outros foros internacionais.
No relatório produzido pelo Fórum de Mulheres após a realização do primeiro encontro, em 2007, foram destacadas as ligações existentes entre políticas macroeconômicas, igualdade de gênero e erradicação da pobreza. Sugeriu-se a adoção de respostas coordenadas para o enfrentamento e a erradicação da pobreza e identificou-se que uma das formas de cooperar é por meio da troca, disseminação e compartilhamento de informações e experiências. O Fórum de Mulheres busca contribuir para a discussão sobre o desenvolvimento de políticas públicas considerando o impacto destas sobre a vida das mulheres, assim como o impacto que o trabalho das mulheres tem sobre o desenvolvimento dos países.
O III Fórum de Mulheres do IBAS contou com a participação da ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, bem como com as ministras da Mulher, da Criança e das Pessoas com Deficiência da África do Sul, Mayende-Sibiya e Krishina Tirath, de Desenvolvimento da Mulher e da Criança, da Índia. Nesta terceira edição, assuntos como a violência e os efeitos da crise econômica na vida das mulheres nortearam as discussões.
A ministra Nilcéa lembrou que ainda há muitos desafios para promover a igualdade de gênero no Brasil, agravados pelas diferenças regionais e raciais existentes no país. “Precisamos assegurar que os avanços das últimas três décadas sejam estendidos a todas as mulheres, independentemente de classe econômica ou raça". Ela destacou ainda as diferenças salariais no mercado de trabalho, lembrando que as brasileiras recebem, em média, 70% da remuneração dos homens, o que pode se agravar dependendo da etnia. Nilcéa Freire apontou, também, a necessidade de se redefinirem os papéis atribuídos ao homem e à mulher. “A mulher reproduz, cuida das crianças, dos idosos, mas esse trabalho é invisível, não é considerado riqueza econômica e não é compartilhado pelos homens”, declarou.
A ministra da Mulher, da Criança e das Pessoas com Deficiência da África do Sul, Mayende-Sibiya, ressaltou a importância do evento, que analisa temas de interesses dos três países e disse que os resultados dos debates já são perceptíveis. “O fórum mostra a relação de parceria entre os governos e a sociedade civil, criamos um ministério para as mulheres em nosso país, fruto das discussões estabelecidas em fóruns anteriores”, disse ela.
Sobre os impactos da crise econômica na vida das mulheres, a ministra sul-africana disse que também houve reflexos positivos. “A recessão econômica e a crise financeira nos ajudaram na conscientização da importância do fórum. Entretanto recomendamos que sejam finalizados os indicadores de gênero. A maior parte dos indicadores do IBAS é relativa aos homens”, ressaltou.
A ministra de Desenvolvimento da Mulher e da Criança, da Índia, Krishina Tirath, disse que grande parte das mulheres na Índia está no sistema informal e não tem garantia de estabilidade no emprego. Por isso, elas sofreram diretamente a crise.
Krishina acrescentou que crise econômica também é motivadora da violência contra as mulheres. “A violência é intensificada em época de crise econômica. Os homens não se sentem provedores de suas famílias e agridem as mulheres. O Fórum é mais um passo para ajudar a transformar a vida dessas mulheres e contribuir para o crescimento de nossos países”, afirmou.
As delegações participantes do fórum formularam um documento com recomendações sobre as conseqüências da crise financeira mundial para as mulheres na Índia, no Brasil e na África do Sul e o encaminharam aos governantes dos três países. No encerramento do Fórum, que aconteceu no Palácio Itamaraty, sede da diplomacia brasileira, foi lançado o livro Fórum de Mulheres do Ibas - Pensando uma Estrutura Macroeconômica Inclusiva - Uma Abordagem Feminista Sul-Sul.
Para ler na íntegra o documento entregue aos Chefes de Estado, clique aqui.
Com informações produzidas pela Ascom/SPM