49,5% das creches têm qualidade inadequada
21.06.2010 - Pesquisa da Fundação Carlos Chagas, com apoio do MEC e do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, mostra que as creches brasileiras têm sérias deficiências
Pesquisa sobre a educação infantil no país, realizada no segundo semestre de 2009, em seis capitais: Rio de Janeiro, Belém, Campo Grande, Florianópolis, Fortaleza e Teresina, mostra que as creches e as pré-escolas brasileiras têm sérias deficiências. A pesquisa abrangeu 147 unidades infantis, em sua maioria da rede municipal, incluindo também conveniadas e particulares. Os dados foram apresentados na última semana em seminário em São Paulo.
86,9% das creches e 72,4% das pré-escolas brasileiras receberam menos de 5 pontos em uma escala de avaliação que vai de 1 a 10. 49,5% das creches foram qualificadas como inadequadas, com notas de 1 a 3. Com notas entre 3 e 5, 37,4% das creches foram classificadas como básicas, sendo consideradas unidades que possuem apenas o mínimo para funcionar. Apenas 12,1% obtiveram notas entre 5 e 7 pontos, sendo consideradas adequadas, enquanto 1,1% foram consideradas boas, com notas variando entre 7 e 8,5.
O serviço apresenta deficiências sérias, como má qualificação dos/as professores/as, falta de material escolar e, principalmente, falta de atividades para as crianças, que ficam muito tempo ociosas. O quesito atividades foi o que recebeu as piores notas (2,2). Nesse item estão inclusas música, movimento, natureza e ciências. O ponto forte foi a interação, que recebeu nota 5,7. As subescalas de avaliação incluem os quesitos espaço e mobiliário, rotinas de cuidado especial, falar e compreender, atividades, interação, estrutura do programa, pais e equipe.
A disponibilização de unidades e a boa qualidade dos serviços oferecidos pelas creches são essenciais para garantir o direito das mulheres de entrada e permanência no mercado de trabalho e a promoção da igualdade de oportunidades e tratamento para homens e mulheres trabalhadores/as com responsabilidades familiares.