30 anos do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia
14.10.2011 - O Observatório disponibiliza entrevista com Carmen Silva, educadora e coordenadora colegiada do SOS Corpo
No último dia 7 de outubro, o SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia, comemorou 30 anos de existência com a realização de um ato político comemorativo e de um colóquio sobre o pensamento da socióloga feminista Heleiett Saffiotti. Para marcar a data, o Observatório Brasil da Igualdade de Gênero apresenta breve entrevista realizada com Carmen Silva, educadora e coordenadora colegiada do SOS Corpo. Mais informações sobre a organização podem ser acessadas no sítio: http://www.soscorpo.org.br/ .
- Qual o balanço da organização com relação aos seus 30 anos de atividade? Durante esse período, o que mudou na sociedade brasileira, no que se refere à situação das mulheres?
Muita coisa mudou. Não apenas com a ação do SOS, mas em parte por isso. O SOS atua em conjunto com outras organizações e redes que compõem o movimento feminista no Brasil. Graças à existência e à ação deste movimento nós mulheres conseguimos instituir a desigualdade de gênero existente na sociedade brasileira como um problema público, a ser enfrentado pela sociedade e pelo Estado. Neste período, conquistamos a igualdade legal com os homens na Constituição e no Código Civil, embora ela ainda não seja real; conquistamos novas legislações que contribuem para enfrentar a situação das mulheres, como é o caso da Lei Maria da Penha; a instituição de políticas públicas para mulheres e a criação de órgão público responsável por isso, embora tenha muito ainda que ser fortalecido e ter seu orçamento ampliado... O fundamental é que a desigualdade entre homens e mulheres, nas relações familiares, no trabalho e no exercício do poder público está sendo reconhecido pelo Estado e pela sociedade, mas precisamos continuar a luta para que este reconhecimento se transforme em obrigação de enfrentar o problema.
- Quais os principais desafios a serem enfrentados daqui para frente, na promoção dos direitos das mulheres brasileiras?
Ainda temos muitos: a igualdade salarial para quem está em postos formais no mercado de trabalho; a entrada no trabalho legalizado e com direitos para a maioria das mulheres; o compartilhamento do trabalho doméstico com todas as pessoas adultas do grupo domiciliar; a paridade nos processos eleitorais; a legalização do aborto como um direito das mulheres decidirem sobre suas próprias vidas e não serem constrangidas à maternidade quando não o desejam ou não tem condições para assumir; o controle sobre a imagem da mulher na mídia que a expõe como mercadoria; a implantação na prática da lei maria da penha com todo o atendimento necessário às mulheres vítimas de violência...enfim, são muitos os desafios no campo da legislação e das políticas públicas e mais ainda no campo do debate na sociedade e na alteração da cultura política, para que mulheres e homens tenham o mesmo valor e os mesmos direitos.
- Para os 30 anos do SOS, foi promovida uma série de eventos, você poderia comentar sobre os destaques da programação? Ainda há eventos por vir?
Na verdade a gente fez o lançamento da marca 30 anos no final do ano passado e agora em 07 de outubro fizemos dois eventos no mesmo dia: um colóquio sobre o pensamento da socióloga feminista Heleiett Saffiotti e uma noite de comemoração. Para nós foi muito importante esta comemoração porque revisitamos nossa história e, com ela, pensamos sobre o feminismo no Brasil nestes últimos 30 anos. A presença de muitas companheiras com as quais compartilhamos esta história ajudaram no resgate da memória e também na reflexão sobre o devir. Os desafios são muitos, mas a disposição de continuar as lutas é ainda maior.
- Há ações promovidas atualmente pelo SOS Corpo que você queira destacar?
Nós trabalhamos com educação, pesquisa, comunicação e ação política. Buscamos estar juntas fortalecendo e contribuindo com a construção do feminismo no Brasil através da Articulação de Mulheres Brasileiras. Nos unimos a todas e todos que querem enfrentar as desigualdades de gênero, raça e classe em nosso país e no mundo. Seguimos acreditando e trabalhando para construir um outro mundo possível. Isto é o que eu queria destacar.